Meu caminho profissional
Me formei em Comunicação Social - Jornalismo e fui atuar em produção para programas educativos na televisão. Em um desses programas, conheci pessoas que atuavam na FEBEM-SP (Atual Fundação Casa) e comecei a produzir veículos de comunicação com as pessoas (adolescentes e adultas) que se encontravam encarceradas. Eu queria escutar a voz delas. A voz que não se ouvia. Atuei por quase uma década em presídios, abrigos, centros de convivência e acolhimento, com moradores de rua, em zonas de conflito e em favelas, lidando diariamente com situações de crianças e adolescentes em extrema vulnerabilidade.
A pesquisa em Educomunicação pela ONG Viração e com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (USP) me levou a atuar também com ONGs nacionais e internacionais na área das infâncias e adolescências, escolas públicas e particulares, universidades e em parceria com órgãos como Unesco e UNICEF. Essa ampla vivência em diversos setores da sociedade, despertaram em mim uma inquietude sobre as lógicas que usualmente regem as relações e se refletem em estruturas fundamentadas pelo medo e controle, com práticas que levam à dor e ao sofrimento. Em uma pós graduação em Sócio-psicologia, foquei meus estudos em Antropologia e Psicanálise na busca por querer compreender o que nos leva a conviver de forma tão desastrosa.
A partir desse incômodo, segui em busca por pesquisas, práticas e ferramentas de convivência que sirvam de fato à Vida, e que atuem para fortalecer os laços de confiança e de amor. Em 2008 conheci a pesquisa de Marshall Rosenberg na Comunicação Não-Violenta, de Dominic Barter com os Sistemas e Círculos Restaurativos, a Pedagogia Viva com o Grupo Orion, a desescolarização com Ana Thomaz e Carla Ferro e a auto-direção com o trabalho de José Pacheco.
Com a gravidez do meu primeiro filho e minha mudança para a Chapada dos Veadeiros, fui empurrada a criar para minha própria família o que fazia sentido para mim. Encontrei todos os desafios que todos nós que atravessamos o portal da maternidade/paternidade enfrentam: a minha própria história. Fui pesquisar e estudar sobre processos sistêmicos e complexos, constelações familiares e traumas.
Ancorei rodas de gestantes e de mães e, a partir de 2013, ancorei uma creche parental com foco na Aprendizagem Natural e na Auto-direção. Com a gravidez do meu segundo filho, conheci Eva Appenzeller, suíça, fundadora da Laila que Baila - Rede de Mães e Pais. A convivência com Eva e família fez com que eu pudesse experimentar na prática uma outra realidade de cuidado, respeito e amor de fato pelas crianças. Uma realidade em que as crianças estão de fato no centro sagrado da vida em comunidade.
Esta convivência permitiu que eu aprofundasse minhas pesquisas e vivências me levando a perceber a importância de ancorar um espaço físico no Brasil, em que as pessoas possam ter uma referência de uma outra realidade, com base no Amor e na Confiança na Vida, na prática. Este espaço físico tem diversos formatos desde então, e hoje se chama Casa Mbiriti.
Neste projeto, a convivência intensa com os processos dos adultos na relação com as crianças, entre eles e com as educadoras refletia percepções presentes desde minha infância. Foi esse contato com as famílias através dos círculos de mães e pais e das conversas individuais, que foi tecendo meu trabalho como Doula de Famílias.
Paralelamente, minha atuação na área social, com o sistema de justiça, Ministério Público, Conselho Tutelar, Medidas sócio educativas e centro de convivência, me dão um repertório sistemático dos diversos contextos que vivemos no Brasil.
No momento, acabo de concluir a graduação em Pedagogia e estou tecendo redes pelo Brasil em Novas Construções Sociais em Educação.